35v50 Tour by Dj Vibe – Estação da Luz – Aveiro

 

Tinha que fazer parte desta tournée em que Dj Vibe aka Tó Pereira revisita em cada noite 35 anos de carreira.

Tinha, pois eu fui um dos muitos “Ravers” que acompanharam o dj e produtor nas muitas festas.

Que se realizaram um pouco por todo o país em que o Lisboeta foi figura principal.

Os mais novos com certeza não ouviram falar da “Week In Paradise Called Portugal“.

Designação dada pela conceituada revista Inglesa de Música de Dança “Musik” nos anos 90.

Foi sem dúvida uma época muito prolífera a nível de eventos que apresentaram ao nosso país alguns dos melhores nomes internacionais e nacionais.

Estou-me a lembrar de Derick May, Tony Humphries e Danny Tenaglia, o qual tivemos a oportunidade de rever o ano passado no Neo Pop em Viana do Castelo.

Jeff Mills, Plastikman, Carl Cox, Roger Sanchez, Laurent Garnier, Deep Dish, Masters At Work são outros nomes da cena internacional que marcavam presença assídua em Portugal.

Nacionais, Vibe, Tó Ricciardi, Rui Vargas, Luís Leite, DJ Jiggy, Mário Roque e XL Garcia foram dos nomes mais sonantes a fazer parte do movimento.

Eu também nasci nesta altura para música de dança, influenciado por máxis como o So Get Up dos Underground Sound of Lisbon (dupla constituída por Dj Vibe e Rui Silva, outra presença habitual).

Eramos nessa altura os maluquinhos da noite, percorríamos o país de lés a lés para assistirmos aos nossos dj’s preferidos.

Lembro-me por exemplo de duas histórias dessa época, uma em que começava-se a falar nas grandes festas em Castelos e eu e um amigo saímos de Estarreja para irmos ver aquilo que prometia ser um grande festão.

E foi, não me recordo se foi a primeira Tecnolândia ou outra festa anterior a essa, nem sequer me lembro dos nomes dos Dj’s (O vibe esse estava lá claramente).

O lugar, esse é mítico – Castelo de Montemor o Velho.

E a segunda história, foi uma viagem que fiz para o Algarve para umas férias em Albufeira e no final da semana fazer a viagem direta para o Castelo de Santa Maria da Feira, para ver nomes como o falecido Jaydee, Danny Tenaglia, Ruizinho, Luís Leite, o próprio Tó e com certeza outros que não me recordo do nome.

É que já lá vão uns anos em cima e muitas noites perdidas ;)…

Falar das Festas e não falar do saudoso António Cunha é como ir a Roma e não ver o Papa, empresário visionário da noite, é ele considerado o mentor de todas estas primeiras Raves.

Bom, mas vamos ao que nós realmente trouxe até aqui, embora sabendo que não podemos desassociar o nome de Vibe à década de 90.

A Estação da Luz foi também um dos clubs que aderiu a este movimento emergente que teve as suas raízes em cidades como Chicago, Detroit e Nova York.

Referenciado por muitos experts da matéria como tendo nascido na primeira cidade norte americana indicada anteriormente.

A Estação da Luz está como foi deixada quando encerrou as portas, continua acolhedora, embora a precisar de obras, principalmente de maquiagem.

O parque de estacionamento, esse então precisa bem de uns “cortes de cabelo”, tal é a altura da vegetação acumulada.

A pista de dança está ladeada por uma série de sofás e dois bares de serviço.

Na parte de cima encontra-se um Bar com vista privilegiada para a pista de dança aonde segundo um segurança se pode beber gin.

É um espaço mais calmo onde o som é abafado dado o vidro que separa a sala do clube,  sem dúvida um local mais reservado que se poderia tornar num espaço VIP.

Quando chegámos Zé Nuno da Ballroom Crew já estava aos comandos da cabine, enquanto na pista um grupo de party people feminino dava os primeiros pés de dança com um House bastante envolvente.

Deixou a pista muito bem composta com sons bem bumping e industriais para um Vibe fazer uma retrospectiva dos seus 35 anos de carreira e 50 de idade.

Por detrás da cabine mantém-se a sala de fumadores com lugares sentados e um Bar, que nesta noite só dava entrada a quem tivesse pulseira vermelha.

A cabine continha o essencial, dois cdj Pioneer, dois pratos technics e é claro uma mesa de mistura que por sinal para a festa era nada menos do que a Model One de Richie Hawtkin.

Tivemos a oportunidade de a experimentar aquando da edição de 2017 do Festival Sónar em Barcelona.

Sem querer ser muito técnico e mais para os entendidos esta mesa não tem a habitual configuração de equalização por canal.

É tudo controlado com cortes de frequência, uma forma diferente de misturar, que como nos disse o Zé Nuno estranha-se no início mas vai-se habituando com a sua utilização.

Como acessórios, o sampler descontinuado C Loops da Red Sound, já não víamos um a ser usado desde os anos 90, a mais recente coqueluche da Pioneer, o sampler DJS-1000 e um pedal para efeitos.

Ficámos curiosos como os dj’s entravam e saiam da cabine, ficámos a deduzir que para tal os monitores de munição teriam de ser deslocados, mas mais tarde entendemos que existe uma passagem por detrás da cabine em que com um pouco de jeito o DJ entra e sai sem qualquer problema.

Na parede lateral à direita de quem entra são projetadas imagens mesmo por cima de um dos bares, enquanto no lado oposto três quadros rectangulares servem de tela para outras projecções.

Vibe entrou por volta das três horas da madrugada e deixou a cabine passava pouco das seis horas da manhã.

Durante cerca de três horas, Vibe tocou temas novos, mas também alguns clássicos como The Bucktheads – The Bomb.

Quem me dera estar na mente do Dj para entender as dezenas, senão centenas de decisões de que disco tocar, que sample lançar.

Muitas horas de cabine permitem a Tó Pereira corrigir pequenas imperfeições que só os mais atentos conseguem detectar nas misturas.

Terminou com uma meia hora a rasgar, uma vez que durante quase toda a atuação tocou bastante soft para um público constituído por muito party people feminino.

Só achámos que ficou por tocar o ícone dos Underground Sound of Lisbon – So Get Up e isso mesmo referimos ao Dj, o qual nos disse quea noite passou tão depressa que não deu tempo para o tocar.